{"id":1428,"date":"2025-05-26T07:10:44","date_gmt":"2025-05-26T10:10:44","guid":{"rendered":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/?p=1428"},"modified":"2025-05-26T07:31:39","modified_gmt":"2025-05-26T10:31:39","slug":"desafios_do-mercado-de-trabalho-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/2025\/05\/26\/desafios_do-mercado-de-trabalho-brasileiro\/","title":{"rendered":"DESAFIOS DO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-sitebg-color has-headings-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-b8193196461609280006f5ef6c33fc13 wp-block-paragraph\"><strong>Assunto:  Gest\u00e3o de Pessoas, Lideran\u00e7a, Mercado de Trabalho \/ Tempo de leitura: 14 minutos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mercado de trabalho brasileiro enfrenta, h\u00e1 alguns anos, uma s\u00e9rie de desafios que v\u00e3o muito al\u00e9m do contexto de pleno emprego, onde existem mais vagas do que pessoas para trabalhar. Muitos empres\u00e1rios e gestores me relatam grande dificuldades em encontrar profissionais dispostos a aceitar as ofertas de emprego, mesmo aquelas que n\u00e3o necessita de nenhuma qualifica\u00e7\u00e3o. <strong>Esse cen\u00e1rio revela uma complexa interse\u00e7\u00e3o de fatores que v\u00e3o muito al\u00e9m do que o problema fosse o Bolsa Fam\u00edlia ou Auxilio Brasil, mas permeia desde a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos empregat\u00edcios at\u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, passando pelo posicionamento autorit\u00e1rio de muitas lideran\u00e7as, o valor e o significado do trabalho e pelo descompasso entre a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e as demandas reais do mercado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Historicamente, o processo de qualifica\u00e7\u00e3o profissional no pa\u00eds ocorria de forma complementar \u00e0 viv\u00eancia pr\u00e1tica, possibilitando que o trabalhador se desenvolvesse no ambiente real de trabalho e depois buscasse especializa\u00e7\u00f5es para aprimorar sua carreira. Atualmente, observa-se uma tend\u00eancia em que os profissionais se formam sem o respaldo de experi\u00eancias significativas, o que contribui para a desconex\u00e3o entre teoria e pr\u00e1tica. Esse distanciamento gera situa\u00e7\u00f5es paradoxais: por exemplo, profissionais altamente qualificados em determinadas \u00e1reas acabam migrando para fun\u00e7\u00f5es consideradas &#8220;menos qualificadas&#8221; ou n\u00e3o aproveitam plenamente seu potencial, minando tanto seu crescimento pessoal quanto a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro elemento central nesse debate \u00e9 a influ\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e da gest\u00e3o empresarial. Ambientes pautados por lideran\u00e7as autorit\u00e1rias e rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas r\u00edgidas tendem a desmotivar o colaborador, que passa a questionar o valor do trabalho em contextos de baixa remunera\u00e7\u00e3o e falta de reconhecimento. Assim, a dificuldade em atrair e manter talentos n\u00e3o se resume \u00e0 oferta de vagas, mas se reflete em uma disputa por condi\u00e7\u00f5es dignas e que possibilitem o desenvolvimento sustent\u00e1vel dos profissionais, por exemplo menor carga horaria de trabalho, por ter um foco na pr\u00f3pria sa\u00fade e bem estar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>CEN\u00c1RIO ATUAL DO MERCADO DE TRABALHO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relatos do setor empresarial apontam que, mesmo com o aumento do n\u00famero de oportunidades de emprego, a ades\u00e3o dos profissionais \u00e0s vagas ainda \u00e9 baixa. <strong>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), relativos ao in\u00edcio de 2024, indicam que cerca de 40 milh\u00f5es de brasileiros atuam na informalidade, sem os benef\u00edcios de um contrato formal. <\/strong>Mesmo entre as vagas oficialmente dispon\u00edveis, muitas se caracterizam por oferecer contratos inseguros e a aus\u00eancia de direitos trabalhistas, como \u00e9 frequentemente o caso dos contratos sob o regime de Pessoa Jur\u00eddica (PJ).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"570\" height=\"547\" src=\"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/informalidade-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1430\" style=\"aspect-ratio:1.042077298825949;width:455px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/informalidade-1.png 570w, https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/informalidade-1-300x288.png 300w, https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/informalidade-1-261x250.png 261w\" sizes=\"(max-width: 570px) 100vw, 570px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Al\u00e9m disso, a taxa nacional de desemprego, que se situa em 7%, com 7 milh\u00f5es e 700mil pessoas, esconde diferen\u00e7as marcantes entre as regi\u00f5es do pa\u00eds. Em localidades com caracter\u00edsticas de pleno emprego, como na regi\u00e3o Sul (3,8%), Centro-Oeste (5,0%) e Sudeste (5,9%), a oferta de profissionais \u00e9 insuficiente e, em muitos casos, esses trabalhadores n\u00e3o correspondem completamente \u00e0s exig\u00eancias das vagas oferecidas. <\/strong>Essa realidade evidencia um descompasso entre a disponibilidade de m\u00e3o de obra e as qualifica\u00e7\u00f5es demandadas pelo mercado, contribuindo para a tens\u00e3o no setor e a dificuldade de preenchimento das vagas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"479\" height=\"277\" src=\"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/desemprego-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1431\" srcset=\"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/desemprego-2.png 479w, https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/desemprego-2-300x173.png 300w, https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/desemprego-2-432x250.png 432w\" sizes=\"(max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>A INFLU\u00caNCIA DOS PROGRAMAS SOCIAIS, O CUIDADO DOS PAIS E O MUNDO DIGITAL<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cr\u00edtica ao Bolsa Fam\u00edlia<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma narrativa comum em certos setores da sociedade \u00e9 a de que programas sociais, como o Bolsa Fam\u00edlia, desestimulam a busca por emprego formal. Em 2024, os gastos com o Bolsa Fam\u00edlia ultrapassaram R$170 bilh\u00f5es, e esse argumento tem sido usado por alguns empres\u00e1rios para explicar a baixa ades\u00e3o ao mercado de trabalho. No entanto, essa vis\u00e3o \u00e9 equivocada. A ideia de que as pessoas preferem receber R$600 do benef\u00edcio a conquistar um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$1.518 \u2014 ou at\u00e9 mais \u2014 n\u00e3o se sustenta. Pelo contr\u00e1rio: a maioria das pessoas deseja melhorar de vida. A dificuldade de ingresso no mercado formal est\u00e1 ligada a fatores estruturais muito mais complexos do que a simples escolha individual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Muitas dessas pessoas vivem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, dividindo pequenos espa\u00e7os com v\u00e1rios familiares e assumindo responsabilidades intensas de cuidado, como a cria\u00e7\u00e3o dos filhos e o amparo a parentes idosos ou doentes. Nesse contexto, a rigidez de uma jornada formal de trabalho, que exige dedica\u00e7\u00e3o de 8 a 12 horas por dia, torna-se invi\u00e1vel. Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de suporte adequado para cuidados e o custo da mobilidade urbana s\u00e3o barreiras reais. <\/strong>Para muitas fam\u00edlias, os R$600 do Bolsa Fam\u00edlia, complementados por pequenos trabalhos informais, permitem uma adapta\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel \u00e0 realidade dura que enfrentam. Assim, o programa social garante n\u00e3o apenas a subsist\u00eancia, mas tamb\u00e9m a autonomia m\u00ednima para equilibrar trabalho, cuidado e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A Bolha Cultural na Forma\u00e7\u00e3o dos Jovens<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O cuidado excessivo na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, aliado \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o de profiss\u00f5es consideradas \u201cmenos qualificadas\u201d \u2014 como as de metal\u00fargico, soldador ou operador de caixa \u2014 contribui para a forma\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o limitada sobre o mercado. Pais superprotetores acabam por criar uma bolha que afasta os jovens dessas ocupa\u00e7\u00f5es, gerando uma lacuna na oferta de profissionais para fun\u00e7\u00f5es essenciais, mas socialmente desvalorizadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, muitos pais, em uma tentativa de proteger os filhos dos desafios e dificuldades que eles pr\u00f3prios enfrentaram no ambiente de trabalho, acabam evitando que eles entrem cedo no mercado ou tenham contato com experi\u00eancias profissionais mais simples. Isso compromete a forma\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de valor do trabalho: o entendimento de que o trabalho tem um papel essencial na constru\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, no desenvolvimento de compet\u00eancias, na percep\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o, tempo, dedica\u00e7\u00e3o e na valoriza\u00e7\u00e3o das conquistas.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A Vida Idealizada nas Redes e o Impacto na Juventude<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A crescente exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s redes sociais tem criado uma distor\u00e7\u00e3o significativa entre a vida que muitos jovens visualizam \u2014 cheia de sucesso, liberdade, consumo e experi\u00eancias extraordin\u00e1rias \u2014 e a realidade concreta que encontram ao ingressar no mundo do trabalho e da vida adulta. <\/strong>Essa compara\u00e7\u00e3o constante, alimentada por algoritmos que mostram apenas recortes positivos e momentos de conquista, provoca frustra\u00e7\u00e3o, des\u00e2nimo e uma sensa\u00e7\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos jovens passam a acreditar que o sucesso deve ser imediato, sem esfor\u00e7o ou processos demorados. <strong>Quando se deparam com a complexidade do cotidiano, com a exig\u00eancia de disciplina, paci\u00eancia e trabalho \u00e1rduo, podem sentir-se derrotados ou enganados. Isso intensifica sentimentos de ansiedade, baixa autoestima e at\u00e9 mesmo avers\u00e3o ao trabalho, j\u00e1 que ele parece n\u00e3o estar \u00e0 altura da &#8220;vida ideal&#8221; projetada digitalmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>O PAPEL DA LIDERAN\u00c7A E GEST\u00c3O DAS EMPRESAS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto crucial e frequentemente negligenciado na discuss\u00e3o sobre o mercado de trabalho \u00e9 a postura e o posicionamento da lideran\u00e7a nas empresas. Essa se\u00e7\u00e3o destaca como a gest\u00e3o interna impacta diretamente a motiva\u00e7\u00e3o e o comprometimento dos colaboradores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Posturas Autorit\u00e1rias e Relacionamentos Hier\u00e1rquicos Desfavor\u00e1veis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em muitas empresas, a lideran\u00e7a adota um estilo autorit\u00e1rio e coercitivo, onde o poder hier\u00e1rquico se sobrep\u00f5e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do colaborador. Essa postura gera ambientes de trabalho com comunica\u00e7\u00e3o deficiente, tomada de decis\u00e3o centralizada e, consequentemente, colaboradores que se sentem desrespeitados e desmotivados para contribuir de forma plena. Esse modelo de gest\u00e3o n\u00e3o favorece o desenvolvimento pessoal e profissional, resultando em alta rotatividade e na procura por alternativas informais que garantam maior autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. Impacto na Produtividade e na Reten\u00e7\u00e3o de Talentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Empresas que n\u00e3o investem em uma cultura organizacional inclusiva e respeitosa acabam pagando um alto pre\u00e7o em termos de produtividade e reten\u00e7\u00e3o de talentos. Quando os colaboradores se sentem valorizados e t\u00eam oportunidades de crescimento, a satisfa\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho aumenta, refletindo positivamente nos resultados da empresa. Por outro lado, a aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia que priorize o bem-estar e a dignidade do trabalhador contribui para a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos de emprego, agravando o quadro de informalidade e baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3. A Necessidade de uma Gest\u00e3o Inovadora e Humana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para transformar essa realidade, \u00e9 imperativo que as empresas repensem seu modelo de gest\u00e3o. Investir na capacita\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes e promover uma cultura de feedback, escuta, transpar\u00eancia, confian\u00e7a, reconhecimento, jornada de desenvolvimento podem e v\u00e3o reverter esse cen\u00e1rio de total desmotiva\u00e7\u00e3o. Essas praticas n\u00e3o somente encoraja o protagonismo dos colaboradores, reconhece seus esfor\u00e7os e ofere\u00e7a um ambiente de trabalho saud\u00e1vel possibilitando o interesse de novos profissionais, mas tamb\u00e9m mantem os atuais, contribuindo para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e de longo prazo de qualquer neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>DESCOMPASSO ENTRE FORMA\u00c7\u00c3O ACAD\u00caMICA E DEMANDA DO MERCADO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Foco em Ensinos N\u00e3o Essenciais e a Falta de Integra\u00e7\u00e3o com a Pr\u00e1tica<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos desafios atuais \u00e9 a escolha de forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas que, muitas vezes, n\u00e3o acompanham as reais demandas do mercado. Observa-se que boa parte dos estudantes e profissionais investem em cursos e gradua\u00e7\u00f5es que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o se traduzem em um desenvolvimento pessoal, econ\u00f4mico ou social consistente. Essa tend\u00eancia tem levado a situa\u00e7\u00f5es paradoxais, como o de indiv\u00edduos que se formam sem terem adquirido experi\u00eancia pr\u00e1tica relevante, ou que atuam em \u00e1reas muito distintas da sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplos dessa disson\u00e2ncia s\u00e3o comuns: h\u00e1 casos em que profissionais se formam em engenharias e, em seguida, acabam exercendo fun\u00e7\u00f5es de motorista de aplicativo. Essa situa\u00e7\u00e3o evid\u00eancia que o ensino, isoladamente, n\u00e3o \u00e9 suficiente sem a complementa\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica e pela constru\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Historicamente, havia a expectativa de que o indiv\u00edduo iniciasse sua trajet\u00f3ria profissional e, posteriormente, buscasse aprimoramento por meio de cursos ou especializa\u00e7\u00f5es, criando assim um ciclo virtuoso de experi\u00eancia e capacita\u00e7\u00e3o. Hoje, muitos se formam sem percorrer esse caminho, o que fragiliza a capacidade de aplicar o conhecimento te\u00f3rico em contextos que exigem habilidades pr\u00e1ticas e adaptabilidade, diminuindo as oportunidades de promo\u00e7\u00e3o e de crescimento profissional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Reflexo no Desenvolvimento Pessoal e Econ\u00f4mico<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O descompasso entre a forma\u00e7\u00e3o oferecida pelo sistema educacional e o que o mercado de trabalho demanda reflete-se diretamente na produtividade e na competitividade do pa\u00eds. <strong>Enquanto muitos buscam qualifica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o agregam valor \u00e0s fun\u00e7\u00f5es essenciais da economia, h\u00e1 uma car\u00eancia de profissionais capacitados em \u00e1reas estrat\u00e9gicas que impulsionariam o desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Essa realidade imp\u00f5e a necessidade de uma revis\u00e3o dos curr\u00edculos acad\u00eamicos, com maior \u00eanfase na pr\u00e1tica e na integra\u00e7\u00e3o com a realidade do mercado, de modo a formar profissionais que possam contribuir efetivamente para a transforma\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do individuo e do pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>O DILEMA ENTRE EMPREGO E EMPREENDEDORISMO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio atual imp\u00f5e um impasse a muitos profissionais: aceitar empregos formais com pouca perspectiva de crescimento ou arriscar-se no empreendedorismo, mesmo sem preparo adequado. Profissionais qualificados muitas vezes se veem ocupando cargos que n\u00e3o exigem sua forma\u00e7\u00e3o, o que gera frustra\u00e7\u00e3o, desmotiva\u00e7\u00e3o e um sentimento de estagna\u00e7\u00e3o. Esse desalinhamento entre qualifica\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o compromete a continuidade de uma trajet\u00f3ria t\u00e9cnica ou de aprofundamento profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ao perceberem a falta de espa\u00e7o para crescer, inovar ou aplicar suas compet\u00eancias de forma mais plena \u2014 inclusive pela aus\u00eancia de ambientes que favore\u00e7am o intraempreendedorismo dentro das empresas \u2014 muitos optam por empreender. No entanto, o empreendedorismo exige um conjunto espec\u00edfico de habilidades e conhecimentos que nem sempre s\u00e3o considerados ou desenvolvidos por quem toma essa decis\u00e3o por impulso ou por necessidade. Isso contribui para o alto \u00edndice de insucesso de novos neg\u00f3cios, refor\u00e7ando o ciclo de inseguran\u00e7a e frustra\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse dilema evidencia uma lacuna estrutural: a falta de pol\u00edticas de desenvolvimento de carreira dentro das organiza\u00e7\u00f5es e a idealiza\u00e7\u00e3o de um empreendedorismo como solu\u00e7\u00e3o para todas as insatisfa\u00e7\u00f5es profissionais, sem o devido preparo t\u00e9cnico, emocional e estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-large-font-size\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que temos presenciado no mercado de trabalho brasileiro \u00e9 o ac\u00famulo de sintomas de um sistema que insiste em operar no passado. A escassez de profissionais n\u00e3o \u00e9 apenas um problema de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, tampouco se resolve com est\u00edmulos financeiros isolados. Trata-se de um espelho social que revela um profundo desalinhamento entre o que as empresas oferecem, o que os l\u00edderes praticam e o que as pessoas \u2014 especialmente as novas gera\u00e7\u00f5es \u2014 desejam e valorizam<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso reconhecer que n\u00e3o estamos diante de um \u00fanico problema, mas de uma teia complexa de causas que se retroalimentam: o despreparo de muitos jovens para a realidade do trabalho, a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es formais, a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas que integrem cuidado e emprego, a bolha digital que aliena e ilude, e \u2014 acima de tudo \u2014 modelos de lideran\u00e7a ainda baseados no controle, na escassez e na desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Diante desse cen\u00e1rio, \u00e9 leg\u00edtimo perguntar: quantas demiss\u00f5es, quanto turnover, quantos processos seletivos frustrados, quantas metas n\u00e3o batidas, quantos talentos desperdi\u00e7ados ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios para que empresas comecem a repensar seriamente sua cultura de gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 quando, l\u00edder, gestor e empres\u00e1rio, voc\u00ea vai insistir em manter o mesmo modelo esperando resultados diferentes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Autor: Daniel F\u00fcnkler Borelli<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presenteie este artigo a um amigo ou, se preferir, compartilhe-o com todos os seus amigos em suas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assunto: Gest\u00e3o de Pessoas, Lideran\u00e7a, Mercado de Trabalho \/ Tempo de leitura: 14 minutos O mercado de trabalho brasileiro enfrenta, h\u00e1 alguns anos, uma s\u00e9rie de desafios que v\u00e3o muito al\u00e9m do contexto de pleno emprego, onde existem mais vagas do que pessoas para trabalhar. 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