{"id":256,"date":"2018-08-08T15:53:56","date_gmt":"2018-08-08T18:53:56","guid":{"rendered":"http:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/?p=256"},"modified":"2022-09-07T09:54:25","modified_gmt":"2022-09-07T12:54:25","slug":"por-que-a-compaixao-e-uma-tatica-de-gestao-melhor-do-que-a-rigidez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/2018\/08\/08\/por-que-a-compaixao-e-uma-tatica-de-gestao-melhor-do-que-a-rigidez\/","title":{"rendered":"POR QUE A COMPAIX\u00c3O \u00c9 UMA T\u00c1TICA DE GEST\u00c3O MELHOR DO QUE A RIGIDEZ"},"content":{"rendered":"<p><strong>Assunto: Lideran\u00e7a e Comunica\u00e7\u00e3o&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Tempo de leitura: 10 minutos<\/strong><\/p>\n<p>O Dr. James Doty, neurocirurgi\u00e3o da Stanford University, conta a hist\u00f3ria de quando operou um tumor cerebral em um garotinho. Durante o procedimento, o residente que o assistia distraiu-se e perfurou acidentalmente uma veia.<!--more--> Com sangue derramado por toda a parte, Doty n\u00e3o conseguia mais ver a delicada \u00e1rea do c\u00e9rebro na qual estava trabalhando. A vida do menino estava em risco. A \u00fanica escolha que restava era atuar \u00e0s cegas na \u00e1rea afetada, na esperan\u00e7a de localizar e pin\u00e7ar a veia. Felizmente, ele conseguiu.<\/p>\n<p>A maioria de n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 um neurocirurgi\u00e3o, mas com certeza somos todos confrontados com situa\u00e7\u00f5es nas quais um funcion\u00e1rio comete um grave erro, potencialmente capaz de arruinar um importante projeto.<\/p>\n<p>A pergunta \u00e9: Como devemos reagir quando um funcion\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 apresentando um bom desempenho ou comete um erro?<\/p>\n<p>Obviamente, frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 a resposta natural \u2013 e com a qual podemos nos identificar. Principalmente se o erro compromete um importante projeto ou gera profundo impacto em nosso trabalho.<\/p>\n<p>A abordagem tradicional \u00e9 reprimir o funcion\u00e1rio de alguma forma. A esperan\u00e7a \u00e9 que algum tipo de puni\u00e7\u00e3o seja ben\u00e9fico: isso ensinar\u00e1 ao funcion\u00e1rio uma li\u00e7\u00e3o; ao expressar nossa frustra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m podemos aliviar o estresse e a raiva gerados pelo erro; e, por \u00faltimo, pode ajudar o restante da equipe a ficar atenta para evitar futuros erros.<\/p>\n<p>Contudo, alguns gestores escolhem uma resposta diferente diante de um funcion\u00e1rio com fraco desempenho: compaix\u00e3o e interesse. N\u00e3o que uma parte deles n\u00e3o esteja frustrada ou indignada \u2013 talvez ainda estejam preocupados com a maneira como os erros dos funcion\u00e1rios refletir\u00e3o em seu pr\u00f3prio trabalho \u2013 mas, de alguma forma, s\u00e3o capazes de deixar de lado julgamentos e at\u00e9 usar o momento como uma oportunidade para aplicar um pouco de coaching.<\/p>\n<p>O que \u00e9 melhor, segundo as pesquisas? Quanto mais reagirmos com compaix\u00e3o, mais significativos ser\u00e3o os resultados alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>Primeiramente, compaix\u00e3o e interesse aumentam a lealdade e a confian\u00e7a do funcion\u00e1rio. Pesquisas mostraram que demonstra\u00e7\u00f5es de afeto e relacionamentos positivos no trabalho promovem a lealdade do funcion\u00e1rio e t\u00eam um efeito muito maior que o tamanho do sal\u00e1rio. Um estudo em especial, realizado por Jonathan Haidt, da New York University, revela que quanto mais os funcion\u00e1rios admiram seus l\u00edderes e s\u00e3o mais motivados pela compaix\u00e3o ou bondade deles (uma condi\u00e7\u00e3o que ele chama de eleva\u00e7\u00e3o), mais leais eles se tornam. Portanto, ao tratar com mais compaix\u00e3o o seu funcion\u00e1rio, ele ou ela n\u00e3o apenas ser\u00e1 mais leal a voc\u00ea, mas qualquer outra pessoa que tenha testemunhado o seu comportamento poder\u00e1 tamb\u00e9m se sentir elevada e ter maior admira\u00e7\u00e3o por voc\u00ea.<\/p>\n<p>Por outro lado, se responder com raiva ou frustra\u00e7\u00e3o, quebrar\u00e1 a lealdade. Como aponta Adam Grant, professor da Wharton Business School e autor do best-seller Give &amp; Take, pela lei da reciprocidade, se voc\u00ea constranger ou culpar um funcion\u00e1rio de forma muito dura, a sua rea\u00e7\u00e3o pode acabar voltando para assombr\u00e1-lo. \u201cDa pr\u00f3xima vez que precisar contar com aquele funcion\u00e1rio, parte daquela lealdade que existia pode ter-se perdido\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Somos especialmente sens\u00edveis a sinais de confian\u00e7a em nossos l\u00edderes e a compaix\u00e3o fortalece nossa disposi\u00e7\u00e3o de confiar. De maneira simples, nosso c\u00e9rebro responde de forma positiva a chefes que nos mostraram compaix\u00e3o, como confirmam pesquisas de neuroimagem. Por sua vez, a confian\u00e7a do funcion\u00e1rio melhora o desempenho.<\/p>\n<p>Doty, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor do Centro de Pesquisa para Solidariedade e Altru\u00edsmo da Stanford University, relembra sua primeira experi\u00eancia no centro cir\u00fargico. Estava t\u00e3o nervoso que suava em bicas. Logo uma gota de suor caiu, contaminando o local. Era uma simples cirurgia e n\u00e3o havia qualquer risco \u00e0 vida do paciente. A sala de cirurgia, por sua vez, poderia ter sido facilmente irrigada. Todavia, o cirurgi\u00e3o-chefe \u2013 um dos cirurgi\u00f5es mais renomados da \u00e9poca\u2013 ficou furioso e expulsou Doty do centro cir\u00fargico. Ele se recorda de voltar para casa chorando de t\u00e3o arrasado.<\/p>\n<p>Doty explica em uma entrevista reveladora que, se o cirurgi\u00e3o tivesse agido de outra forma, teria conquistado sua lealdade eterna. \u201cSe o cirurgi\u00e3o, em vez de esbravejar, tivesse dito algo como: Escute aqui, rapaz, preste aten\u00e7\u00e3o ao que acabou de acontecer: voc\u00ea contaminou a sala cir\u00fargica. Sei que est\u00e1 nervoso; n\u00e3o pode ficar nervoso se quiser ser cirurgi\u00e3o. V\u00e1 l\u00e1 fora por alguns minutos e recomponha-se. Arrume sua touca para que o suor n\u00e3o lhe escorra pelo rosto. Depois volte, que vou lhe mostrar algo. Dizendo algo assim, ele teria se tornado o meu eterno her\u00f3i.\u201d<\/p>\n<p>Uma resposta cheia de raiva n\u00e3o apenas quebra a lealdade e a confian\u00e7a, mas tamb\u00e9m inibe a criatividade ao elevar os n\u00edveis de estresse do funcion\u00e1rio. Como Doty explica, \u201cao criar um ambiente de medo, ansiedade e falta de confian\u00e7a, as pessoas se fecham. De acordo com a neuroci\u00eancia, sabe-se que o medo e a ansiedade levam as pessoas a ter atitudes reativas, uma vez que o controle cognitivo delas \u00e9 atingido. Como consequ\u00eancia, a produtividade e a criatividade diminuem\u201d. Por exemplo, estudos de imagens de c\u00e9rebro revelam que, quando nos sentimos seguros, nosso c\u00e9rebro responde menos ao estresse.<\/p>\n<p>Grant tamb\u00e9m concorda que \u201cquando voc\u00ea responde com frustra\u00e7\u00e3o, cheio de f\u00faria, o funcion\u00e1rio provavelmente se arriscar\u00e1 menos no futuro, porque se preocupa com as consequ\u00eancias negativas de seus erros. Em outras palavras, voc\u00ea elimina a cultura da experimenta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 fundamental para o aprendizado e a inova\u00e7\u00e3o\u201d. Grant faz refer\u00eancia \u00e0 pesquisa de Fiona Lee, da University of Michigan, que mostra que promover uma cultura de seguran\u00e7a \u2013 ao contr\u00e1rio do medo de consequ\u00eancias negativas \u2013 ajuda a estimular o esp\u00edrito da experimenta\u00e7\u00e3o, t\u00e3o essencial para a criatividade.<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 uma raz\u00e3o para sentirmos raiva. Pesquisas mostram que sentir raiva pode ter resultados positivos; por exemplo, pode nos dar for\u00e7as para lutar contra injusti\u00e7as. Al\u00e9m do mais, faz com que pare\u00e7amos mais poderosos. Entretanto, se na condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder voc\u00ea expressa emo\u00e7\u00f5es negativas como a raiva, seus funcion\u00e1rios t\u00eam a impress\u00e3o de que voc\u00ea \u00e9 menos eficiente. Em contrapartida, os l\u00edderes possuem uma n\u00edtida vantagem quando s\u00e3o agrad\u00e1veis e simp\u00e1ticos, e n\u00e3o grosseiros, como mostra Amy Cuddy, da Harvard Business School.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como responder com mais compaix\u00e3o da pr\u00f3xima vez que um funcion\u00e1rio cometer um erro grave?<\/p>\n<p><strong>1.Espere um pouco.<\/strong><\/p>\n<p>Doty explica que a primeira coisa \u00e9 controlar as suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es \u2013 raiva, frustra\u00e7\u00e3o, ou qualquer que ela seja. \u201cVoc\u00ea precisa dar um passo para tr\u00e1s e controlar sua rea\u00e7\u00e3o emocional porque, se agir assim, n\u00e3o ser\u00e1 cauteloso para abordar melhor o problema. Ao voltar um passo, reservando tempo para refletir, voc\u00ea entra em um estado mental que possibilita uma resposta mais consciente, razo\u00e1vel e plaus\u00edvel.\u201d A pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o pode ajudar a melhorar seu autoconhecimento e controle emocional.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o quer operar quando est\u00e1 simplesmente fingindo que est\u00e1 tudo bem. Pesquisas mostram que esse tipo de fingimento, na verdade, acaba elevando o seu batimento card\u00edaco e o do funcion\u00e1rio tamb\u00e9m. Em vez disso, tire um tempo para se acalmar de forma a poder ver melhor os detalhes da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>2.Coloque-se no lugar do funcion\u00e1rio. <\/strong><\/p>\n<p>Ao dar um passo atr\u00e1s, voc\u00ea ser\u00e1 capaz de ter empatia com o funcion\u00e1rio. Por que o Dr. Doty, em um momento quase tr\u00e1gico no centro cir\u00fargico, foi capaz de responder ao residente com compaix\u00e3o? Como consequ\u00eancia de sua pr\u00f3pria lembran\u00e7a, ele p\u00f4de identificar e se solidarizar com o residente. Isso o permitiu frear sua frustra\u00e7\u00e3o, evitando reprimir o j\u00e1 aterrorizado residente, mantendo a presen\u00e7a de esp\u00edrito para salvar a vida do garotinho.<\/p>\n<p>A capacidade de uma tomada de perspectiva \u00e9 valiosa. Estudos mostraram que isso o ajuda a enxergar aspectos da situa\u00e7\u00e3o que talvez n\u00e3o tenha notado e atingir resultados melhores em intera\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, \u00e9 muito importante que gestores tenham consci\u00eancia de que realmente precisam estar sempre se colocando no lugar do funcion\u00e1rio, pois posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a tendem a reduzir a nossa inclina\u00e7\u00e3o natural por empatia.<\/p>\n<p><strong>3.Perd\u00e3o. Empatia, \u00e9 claro, o ajuda a perdoar.<\/strong><\/p>\n<p>Perdoar n\u00e3o s\u00f3 fortalece seu relacionamento com o funcion\u00e1rio pelo fato de promover lealdade, mas tamb\u00e9m acaba sendo bom para voc\u00ea. Guardar m\u00e1goa faz mal para o cora\u00e7\u00e3o (tanto a press\u00e3o arterial sobe, quanto o batimento card\u00edaco acelera), perdoar diminui a sua press\u00e3o arterial e a da pessoa que \u00e9 perdoada. Outros estudos mostram que o perd\u00e3o deixa voc\u00ea mais feliz e satisfeito com a vida, reduzindo de modo significativo o estresse e as emo\u00e7\u00f5es negativas.<\/p>\n<p>Quando confian\u00e7a, lealdade e criatividade est\u00e3o elevadas e o estresse est\u00e1 baixo, os funcion\u00e1rios se tornam mais felizes e produtivos e a taxa de rotatividade diminui. Ali\u00e1s, intera\u00e7\u00f5es positivas deixam os funcion\u00e1rios mais saud\u00e1veis e resultam em poucas faltas por motivo de sa\u00fade. Outros estudos mostraram que a gest\u00e3o compassiva leva \u00e0 melhoria no atendimento ao consumidor e a melhores resultados e satisfa\u00e7\u00e3o dos clientes.<\/p>\n<p>Doty me contou que nunca expulsou nenhuma pessoa do seu centro cir\u00fargico. \u201cN\u00e3o que eu deixe passar em branco, mas, ao optar por responder com compaix\u00e3o quando eles sabem que cometeram um erro, eles n\u00e3o se sentem destru\u00eddos, aprendem uma li\u00e7\u00e3o e querem ser melhores porque voc\u00ea foi gentil com eles.\u201d<\/p>\n<p>Autor: Emma Seppala<\/p>\n<p>Fonte original: <a href=\"http:\/\/hbrbr.uol.com.br\/gestao-com-compaixao\/\">http:\/\/hbrbr.uol.com.br\/gestao-com-compaixao\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pergunta \u00e9: Como devemos reagir quando um funcion\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 apresentando um bom desempenho ou comete um erro?<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1040,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-256","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens-e-artigos-selecionados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1061,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256\/revisions\/1061"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/comeceapensar.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}